Home

6 de jun de 2013

Medição de carbono na Terra Indígena Sete de Setembro Paiter Surui, Cacoal-RO

            Quatro técnicos da empresa Imaflora, que certifica manejos agrícolas e florestais, estiveram na terra indígena 7 de Setembro para avaliação da quantidade de carbono neutralizada por meio da manutenção da floresta em pé. Esta parte é a chamada ‘audição’ do projeto carbono suruí e está em fase avançada. Os técnicos estimaram que os suruís propiciaram, através da preservação florestal ao longo dos últimos quatro anos, 252 mil toneladas de créditos de carbono. A medição é feita por profissionais que também trabalham com outros projetos semelhantes no país, no entanto realizados por não índios. Os suruís são pioneiros em projeto ambiental neste sentido no Brasil e no mundo, Segundo estimativa dos técnicos cada tonelada de carbono vale U$ 10 dólares. A cada quatro anos o dano ambiental é neutralizado revertendo problemas ambientais decorrentes da poluição e efeito estufa.
O líder indígena e idealizar do projeto, Almir Suruí, acompanhou a ação com entusiasmo. Segundo explicou há várias empresas do Brasil e do mundo interessadas na compra de créditos de carbono. Após a certificação da empresa, nos próximos dois meses acontecem as negociações para a comercialização do carbono.
PROJETO
A dinâmica funciona como uma compensação ambiental. As empresas poluidoras compram créditos de carbono para minimizar o dano ambiental provocado pela produção. Algumas interessadas no negócio são fabricantes de veículos, empresas de cosméticos e outros. “Através do projeto a gente visa criar uma consciência mais verde nas empresas que são poluidoras”, disse.
Projeto surge para atender necessidades urgentes
A ideia a partir do projeto carbono suruí é utilizar os recursos provenientes da compensação ambiental em prol dos próprios indígenas. Ao todo 1,4 mil indígenas vivem nas terras 7 de setembro, em Cacoal. A partir do plano dos 50 anos de desenvolvimento, serão postas em práticas ações pontuais para benefício dos suruís, entre as quais: Proteção do território, organização e fortalecimento para produção sustentável de artesanato, castanha e outros produtos da agricultura familiar e valorização cultural. “Se a gente continuar conservando os suruís só tem a ganhar, com exemplo de sustentabilidade”, enfatizou o líder suruí.
Atualmente os indígenas já disponibilizaram 20 toneladas de castanha para comercialização com uma empresa situada em Juína, no Mato Grosso. Uma cooperativa de mulheres daquela localidade compra o produto para produção de óleo, farinha e macarrão produzidas a partir da castanha. Além disso os suruís já tem um selo, uma logomarca para comercialização de artesanato e produtos típicos da cultura indígena. A forma de comercialização destes produtos e recursos para este fim também devem ser obtidos a partir da venda de créditos de carbono. Almir Suruí disse que a expectativa pela aprovação do projeto era grande, e todos estão satisfeitos. “Eu tinha certeza que o projeto de carbono suruí estava dentro dos critérios estabelecidos, então realmente quando o trabalho é avaliado pela auditoria, trás uma grande expectativa”, observou.
Meta é atingir até 2020 a neutralização da poluição
O Brasil tem um meta a atingir até 2020 de neutralização da poluição, por meio da venda de créditos de carbono. A iniciativa dos suruís deve ajudar o país neste sentido, conforme enfatizou o líder. “A gente tem certeza que pode ajudar o país a atingir a meta, em reconhecimento disso a gente espera apoio do governo dentro de políticas públicas e investimentos”, enfatizou. As áreas prioritárias, que necessitam de auxílio governamental são a saúde, educação e melhoria das estradas de acesso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário